Políticos do RN comentam morte de idoso sem atendimento no Walfredo: “Estado assassino e omisso”

Políticos do Rio Grande do Norte usaram as redes sociais neste domingo (7) para repercutir a morte do idoso, que relatou que teve atendimento médico negado no Hospital Walfredo Gurgel antes de sofrer uma parada cardíaca. A situação foi definida por parlamentares potiguares como “revoltante”.

O ministro das Comunicações, Fábio Faria, classificou o caso como “tragédia anunciada”. “Infelizmente, isso aconteceu no meu estado. Morreu sem atendimento. Não é filme de ficção, é uma tragédia anunciada do que assistimos na gestão da saúde do RN. Toda minha solidariedade à família do Sr José William. Essa negligência precisa ser apurada. É caso de intervenção na saúde do RN”, escreveu ele.

O senador Styvenson Valentim (Podemos-RN) também externou revolta ao comentar a situação. “Estado assassino e omisso. Que o vão alegar? Covid? Burocracia do SUS? Sem médico? Sem insumos? Sem dinheiro? Meu palpite é sem vergonha na cara. Recebeu bilhões durante a pandemia e o que se vê de legado desses dinheiro? Os mesmos hospitais de sempre, os mesmos problemas e pessoas ainda morrendo na porta do maior hospital do RN. Antes que apareça a pergunta: “que vc tá fazendo” confere lá no nosso site quanto de dinheiro público já foi enviado para a saúde do RN todo. Sabe quantos prestam contas? Agora eu pergunto: “que vc tá fazendo” que não cobra?”, questionou.

O idoso, identificado como Zé William, morreu após buscar atendimento no Hospital Walfredo Gurgel na última sexta-feira (5), segundo desabafo publicado por familiares nas redes sociais. Ele relatou que sentiu um incômodo na região do peito e gravou um vídeo, afirmando que não conseguiu ser atendido na unidade hospitalar. O idoso morreu pouco depois, vítima de uma parada cardíaca. Ele foi intubado no Hospital dos Pescadores, mas não resistiu.

O vídeo causou comoção. “Outras famílias não devem passar por isso também. Eles [o hospital] poderiam ter prestado os primeiros atendimentos e estabilizar antes de regulá-lo para outro serviço”, disse Williana, filha do idoso.

A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) emitiu nota sobre o caso e afirmou que abrirá sindicância. Confira:

A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sesap) esclarece que, em relação ao usuário que buscou, na última sexta-feira (5), atendimento no Hospital Walfredo Gurgel (HWG), foi aberta uma sindicância para que se faça uma apuração aprofundada dos fatos, a fim de que sejam tomadas as providências cabíveis.

Importante esclarecer que a Rede de Atenção às Urgências e Emergências (RUE) é constituída de diferentes “portas de entrada”, como as Unidades de Pronto Atendimento (UPA), Unidades Básicas de Saúde (UBS), Portas Hospitalares de Urgência e Emergência, SAMU 192, Serviço de Atendimento Domiciliar (SAD), leitos de retaguarda e sala de estabilização, entre outros.

Cada unidade que compõe a rede tem um perfil específico, que é pactuado e aprovado nas instâncias deliberativas do SUS. Todos os municípios e serviços conhecem os fluxos assistenciais de acesso, desenho da rede e complexidade dos serviços.

Os casos de complexidade intermediária normalmente são encaminhados para as UPA’s ou os Pontos de Atendimento/Socorro (PA/PS) dos Municípios. Quando há necessidade, podem ser encaminhados para um hospital da rede de saúde, onde são realizados procedimentos da alta complexidade.

No caso do paciente citado, informamos que ele foi encaminhado para o Hospital dos Pescadores, que possui o perfil adequado para ofertar o atendimento que o mesmo necessitava, conforme o fluxo assistencial do SUS.

A Direção do HWG e da Sesap lamentam o ocorrido, ao mesmo tempo em que se solidarizam com a família do paciente, colocando-se à inteira disposição da mesma para fornecer mais esclarecimentos que se fizerem necessários.


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