“É condenável usar tragédia familiar para fins políticos”, diz secretário de saúde do RN sobre idoso morto

Secretário de Saúde do Rio Grande do Norte, Cipriano Maia, classificou como “condenável” a repercussão política em torno da morte de José Williams, idoso morto após ter atendimento negado no Hospital Walfredo Gurgel, em Natal. A declaração foi dada nesta terça-feira (9) à rádio 98 FM, da capital potiguar.

“É condenável usar uma tragédia familiar para fins políticos, para atingir pessoas e governo. Isso é deplorável. Vamos fazer uma disputa política em outro patamar”, disparou, sem especificar a quem estava dirigindo a mensagem.

Na sexta-feira (5), data em que o idoso faleceu, o ministro das Comunicações, Fábio Faria, e o senador Styvenson Valentim teceram críticas à gestão da Secretaria de Estado de Saúde do RN (Sesap) e ao governo Fátima Bezerra. “Não é filme de ficção, é uma tragédia anunciada do que assistimos na gestão da saúde do RN”, disse o filho do ex-governador Robinson Faria.

Ainda sobre o caso, Cipriano Maia informou que uma sindicância foi aberta para apurar o ocorrido. De acordo com eles, é necessário realizar um processo de conscientização da população sobre os serviços ofertados no Walfredo Gurgel e como eles são realizados. Tal processo já vem sendo realizado em parceria com os municípios.

O secretário pontuou que o problema na saúde pública é reflexo, em partes, dos repasses da União, ou seja, do governo federal. Segundo Cipriano Maia, os valores encaminhados não estão corrigidos, nem consideram a inflação. Por isso, os recursos não são suficientes para atenderem as demandas de estados e municípios, passando a esses a responsabilidade por complementar os valores pendentes.

Em nota, a Sesap destacou que “agudizarão do subfinanciamento federal do SUS desde a edição da PEC de congelamento dos gastos sociais tem sobrecarregado estados e municípios no custeio de ações e serviços”. O texto foi encaminhado à imprensa nesta terça-feira.

Além disso, o secretário destacou que o Walfredo Gurgel “ainda não fechou a porta”. Ele reafirmou que “existe um projeto de regulação que vem sendo discutido com municípios, secretários e Ministério Público para cumprir uma decisão judicial antiga”.

Cipriano Maia argumentou que “está certo regular a porta”, pois o Walfredo Gurgel, enquanto hospital de referência de traumas no estado potiguar, não pode “atender qualquer situação de dor, incomodo, que venha a congestionar o serviço. O secretário explicou que o atendimento ‘a portas abertas’ pode “comprometer procedimentos mais complexos que o hospital precise fazer”.

O caso

O idoso, identificado como Zé William, morreu após buscar atendimento no Hospital Walfredo Gurgel, em Natal, na última sexta, segundo desabafo publicado por familiares nas redes sociais.

Ele relatou que sentiu um incômodo na região do peito e gravou um vídeo, afirmando que não conseguiu ser atendido na unidade hospitalar.

O idoso morreu pouco depois, vítima de uma parada cardíaca. Ele foi intubado no Hospital dos Pescadores, na capital, mas não resistiu.


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