Onze meses após morte de família, relatório propõe retirada planejada de construções nas falésias de Pipa

Stella Souza, de 33 anos, Hugo Pereira, de 32, e o filho deles, Sol de Souza, de 7 meses, morreram após queda de parte da falésia em Pipa — Foto: Redes Sociais

Os pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) estão próximos de concluir o relatório técnico de análise da situação atual das falésias de Tibau do Sul e Nísia Floresta. O documento conta com 12 proposições - entre elas uma transferência planejada das construções instaladas nas bordas, que foram identificadas como áreas de risco.

O estudo foi encomendado após a tragédia que vitimou um casal, o filho de sete meses e o cachorro da família em Pipa, no dia 17 de novembro do ano passado. 

O documento está em fase de finalização, mas o pesquisador que coordenou os estudos, o geógrafo da UFRN Rodrigo Freitas, apontou algumas das proposições feitas, além de explicar parte do trabalho realizado pela equipe.

Entre as medidas que constam no relatório, está o acompanhamento de áreas de risco para a retirada de estabelecimentos e casas que estão instalados nas bordas das falésias, consideradas áreas de risco; o impedimento da chegada de carros e pessoas à beira das falésias; a correção na drenagem das estradas; e a utilização de placas informativas de maneira mais abrangente.

No estudo, os pesquisadores coletaram material das falésias, que compreendem principalmente as praias de Pipa, em Tibau do Sul, e de Tabatinga, em Nísia Floresta.  

Segundo Rodrigo Freitas, foi feito também análise através de drones, escaneamento com laser, "para identificar a descontinuidade, onde há fraturas", além do mapeamento de cobertura do sol e das construções que estão próximas à falésia.

Outro trabalho realizado foi o de monitoramento da dinâmica marinha, ou seja, como a onda está quebrando e provocando a erosão, assim como se a praia está erodindo mais ou se está depositando.

Eles também avaliaram o contexto dos locais, que recebem muitos turistas. "Para se ter ideia, a gente fez a contagem de pessoas em Tabatinga e na parte da manhã de um domingo passam mais de 1 mil pessoas no Mirante dos Golfinhos", pontuou.  

As equipes também fizeram rapel nas áreas como forma de medir as camadas e a composição das falésias. Assim, é possível fazer uma leitura e um melhor diagnóstico do trecho. "Tudo isso pra gente identificar aquelas áreas que tem mais fraturas, que estão mais suscetíveis a ocorrência de deslizamento e aquelas áreas que estão mais estáveis".

"A erosão na falésia é contínua, mas não ataca toda região de falésia ao mesmo tempo, então tem uma parte que erode, cai, e aí ele pode se estabilizar e passar anos estável. E aí outra parte mais a frente vai erodir".

Segundo o pesquisador, as falésias têm recuado com o tempo. "Quando olhamos para isso numa escala de 20 anos, a gente observa que os limites das falésias eram bem diferentes do que a gente tem hoje. Então a falésia vai continuar recuando". 

G1 RN.

 

Comentários

Postagens mais visitadas