Jovem da periferia de Jucurutu se forma em medicina e fala da superação: “minha mãe fazia faxinas para me ajudar na faculdade”


A história aqui compartilhada com os leitores é sobre uma jovem, que em meio dificuldades e ao cenário ocasionado pela pandemia Covid-19, se formou em medicina. Ela vem de uma família humilde, viveu sua infância no Bairro Freitas, estudou em escola pública e lutou muito pra conseguir um diploma.

Desde o nascimento, Raiane Oliveira enfrentou as adversidades da vida, pois nasceu com uma condição genética conhecida por Osteogênese Imperfeita. Apesar dos contratempos e obstáculos, soube enfrentá-los, caminhando com fé e sem nunca desistir dos seus sonhos.

Acompanhe o relato:

Nasci no Distrito Federal e morei em uma cidade vizinha (Luiziânia) até os meus 9 anos. Desde novinha já passava por situações atípicas, pois nasci com uma condição genética chamada Osteogênese Imperfeita, a qual causa grande fragilidade óssea e fraturas de repetição (até mesmo espontâneas). É uma condição que possui diversos graus e, apesar do meu ter sido um dos mais leves, passei boa parte dessa infância engessada por causa das fraturas. Nessa época eu fazia acompanhamento no Hospital Sarah Kubitschek e acredito que de tanto ficar por lá, cresceu em mim a admiração pela área da saúde e, em especial, a medicina.

Nesse tempo, minha mãe já se desdobrava pra dar conta desse acompanhamento, além de educar e alimentar os 03 filhos. Trabalhou vendendo lanches em praças e feiras, em casas de família… Tudo isso pra nunca nos faltar o necessário. Em 2003 chegamos em Jucurutu e a batalha dela continuou… trabalhou como cuidadora de idoso, em pousada, como lavadeira, faxineira… muitas vezes ganhando muito pouco (muito mesmo), mas sem reclamar e nos orientando a estudar, para termos um futuro melhor.

A dor de um osso quebrado (mesmo que muitas vezes, fazendo-me perder as contas kk) sempre foi pequena, quando comparada a batalha que minha mãe percorreu nessa trajetória. Por isso, sempre digo a todos que tudo que sou é por ela e para ela.

Enfim, continuando! Enquanto moramos em Jucurutu, ficamos no Bairro Freitas e estudei no Colégio Santo Alexandre. Até hoje guardo um carinho imenso de todos os professores que tive lá, pois mesmo só com a estrutura básica, ensinavam com excelência e nos estimulavam a voar mais alto. Depois iniciei o ensino médio no Newman, que também tinha um ensino muito bom e professores que admiro demais. Mas, acabei terminando o ensino médio (3o ano) já em Natal, no Colégio Estadual do Atheneu, quando viemos morar aqui, em 2010.

Depois disso, começou a saga para passar em medicina. Como sabia que não seria fácil, busquei bolsa de estudos em muitos cursinhos e, em alguns, consegui bolsas ou bons descontos. Com a dedicação exclusiva, apoio dos professores, da minha mãe e irmãos, após 03 anos, veio a aprovação em medicina na UFRN. Minha mãe que já fazia Faxinas para termos uma renda extra, ainda teve que continuar durante alguns anos…

Passado esses 06 longos anos, finalmente me formei (em Dezembro de 2020), sem colação, sem baile e em plena pandemia.

Parabéns, doutora Raiane Oliveira!

Por: Blog Edilson Silva.

 

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