Sete em cada dez leitos são ocupados atualmente por pessoas abaixo dos 60 anos no RN


Leitos de UTI no Hospital São Luiz

Edinaldo Moreno/Repórter do JORNAL DE FATO

Durante a coletiva de imprensa para divulgar dados epidemiológicos mais recentes da pandemia do novo coronavírus no Rio Grande do Norte, o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) revelou que mais da metade dos leitos para o tratamento da Covid-19 no território potiguar são ocupados atualmente por pessoas abaixo dos 60 anos.

A secretária adjunta da Sesap, Maura Sobreira, destaca que houve uma mudança no perfil dos pacientes que ocupam hoje os leitos Covid-19 no território potiguar. Segundo ela, sete em cada dez leitos são ocupados por pacientes não idosos. “Nós temos em torno de 70% dos leitos ocupados por não idosos e 29,1% ocupados por idosos. Esse é o inverso do que nós tínhamos durante toda a pandemia”.

Maura Sobreira aponta que um dos principais pontos para essa mudança é a vacinação. Os idosos, juntamente com os profissionais de saúde que estão na linha de frente do combate à pandemia, foram os primeiros a serem imunizados contra a doença.

“Isso já é processo de vacinação que começou pelos trabalhadores da saúde e pelos idosos. Isso nos chama a atenção e nos leva a reforçar cada vez mais a importância da adesão da população para a vacinação, inclusive para tomar a segunda dose”. Ela afirmou que a redução das taxas de ocupação está relacionada aos decretos regionalizados e à intensificação das ações de vigilância.

A gestora informou que, embora o Rio Grande do Norte como um todo esteja com 85,1% dos leitos ocupados por pacientes com a Covid-19, a região Oeste mantinha até aquela oportunidade 96,3% de taxa de ocupação, o que mostrava a necessidade de manter a vigilância por parte dos gestores e da população.

“Houve um desbloqueio significativo de leitos, contudo a região Oeste ainda nos preocupa”, destacou ela. A Região Metropolitana tem 81,8% dos leitos ocupados e a região Seridó tem 75% de ocupação.

Na semana passada, o Laboratório de Inovação Tecnológica da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (LAIS/UFRN) divulgou relatório em que, mesmo com o aumento nos pedidos de leitos para o tratamento da covid-19 durante as duas últimas semanas de maio, o estado começa a demonstrar uma reação quanto à pandemia do coronavírus, vivenciada em todo o mundo.

O órgão apontava justamente que essa reação se devia ao fato de o estado ter avançado na imunização dos grupos prioritários, principalmente, idosos acima de 60 anos, considerado como um dos grupos mais vulneráveis à infecção pelo SARS-CoV-2, vírus causador da Covid-19.

De acordo com o diretor executivo do LAIS, professor Ricardo Valentim, esses dados são fundamentais na tomada de decisão quanto às medidas restritivas necessárias a serem adotadas pelas gestões municipais.

O pedido por internações é um indicador on-line medido pelo Sistema de Informação em Saúde Regula RN. Trata-se de um indicador contemporâneo, que se situa como um dos melhores instrumentos para avaliar a transmissibilidade e o aumento do adoecimento por covid-19 no RN.

Ele possibilita um monitoramento quase em tempo real da dinâmica da doença no estado, pois permite enxergar, a partir das demandas dos municípios, se há ou não aumento dos adoecimentos moderados e graves, os quais geram pressão sobre a rede assistencial de maior complexidade.

VACINAÇÃO

Quem também reforçou o apelo para que os potiguares não deixem de tomar a segunda dose foi a subsecretária de planejamento e gestão da pasta estadual, Lyane Ramalho. Ela enfatizou o grande número de faltosos para a aplicação da segunda dose e disse também que há uma busca ativa em todo o estado nesse público.

“Ainda temos 19 mil pessoas no RN, segundo o RN Mais Vacina, que não tomaram a segunda dose, por isso estamos fazendo busca ativa em todo o estado, além de promover ações para melhorar o registro das doses no sistema”, explicou.

Lyane Ramalho também ressaltou a necessidade de completar o esquema vacinal. “Queremos deixar o nosso chamamento para que a população não deixe de tomar a segunda dose, pois só assim estará completando a imunização”.

Nessa quarta-feira, 16, a subsecretária coordenou reuniões virtuais com secretários municipais de saúde, equipes técnicas de imunização, coordenadores da atenção primária em Saúde de todas as cidades, Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do RN (Cosems-RN), membros do Ministério Público e dos Conselhos Estaduais e Municipais de Saúde.

O objetivo foi alinhar ações de apoio, em conjunto com a equipe do RN+ Vacina, principalmente ao processo de inserção de dados no sistema após a aplicação de doses das vacinas contra a Covid-19. “Foi um momento produtivo e já estamos percebendo o empenho dos municípios”, afirmou.

MOSSORÓ

A atualização mais recente do RN Mais Vacina, sistema que acompanha a vacinação contra a Covid-19 no Rio Grande do Norte, divulgada na última quarta-feira, 16, apontava que 1.750 pessoas não haviam retornado ao ponto de vacinação para tomar a segunda dose do imunizante.

Eram 1.034 cidadãos faltosos que não receberam a D2 da vacina produzida pelo Instituto Butantan e 716 atrasados para a segunda dose do imunizante da Oxford, fabricado no Brasil pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

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