RN: protesto contra Bolsonaro anima oposição, mas não intimida aliados do presidente

 

A adesão às manifestações contra o presidente Jair Bolsonaro, no fim de semana, gerou uma onda de entusiasmo entre partidos de oposição, mas sem gerar preocupação nos aliados do Palácio do Planalto. Para integrantes do PT e do PSOL, os atos de sábado foram um exemplo do que as pesquisas eleitorais vêm demonstrando: a perda contínua de apoio do presidente. A vereadora de Natal, Divaneide Basílio, explica que, estruturalmente, o que se viu em Natal – e em várias cidades do País – foram pessoas “manifestando contra condução desastrosa do governo Bolsonaro perante a pandemia que já resultou em mais 450 mil mortos no Brasil”. A parlamentar, que também é presidente do PT na capital, argumenta que “as ruas” provam que a atual conjuntura política está em mudança. “A população também já percebeu que esse governo se utiliza da recomendação pela não aglomeração para tocar uma agenda neoliberal nefasta que pode ser observada nos cortes nos recursos para educação e universidades públicas, no desprezo com a questão ambiental e o aumento do desmatamento da Amazônia, na carestia dos preços dos alimentos básicos, na precarização e na falta de emprego, no desmonte do estado de proteção social e do setor público, nos ataques estruturais às liberdades e aos direitos dos grupos minoritários”, expõe. A petista considera que Bolsonaro está “cada vez mais acuado ao redor dos apoiadores fanáticos que arregimentou”. Para ela, é evidente que o presidente cometeu crimes de responsabilidade e que, se não estivéssemos em meio a uma pandemia, a pressão pelo julgamento desses atos seria “mais forte”. “Até 2022, essa revolta com os rumos dessa política de morte promovida pelo atual presidente vão estar ainda mais potentes e isso certamente terá consequências práticas”, prevê. “As pessoas, com todo cuidado possível, saíram de casa para dar voz às críticas a esse presidente e sua política genocida. Foi um alerta para as forças que estão sustentando essa agenda política desastrosa. Duvido que essa insatisfação, depois de ser colocada para fora, volte para o armário. Mas é preciso ter cautela e responsabilidade. Estamos numa pandemia, e isso não é um mero detalhe”, completa Divaneide. Na mesma linha de pensamento, o vereador de Natal, Robério Paulino (PSOL), destaca que as manifestação têm por finalidade alterar o cenário político vigente. Para ele, não há interesses políticos, nem tampouco mobilização para pavimentar as eleições de 2022. O que há, em sua visão, é a luta em prol da vida, da vacinação e do fim da gestão Bolsonaro. Atualmente, há mais de 100 pedidos de impeachment aguardando análise do presidente da Câmara Federal, Arthur Lira (PP). “Esses atos pressionam, com certeza, o Congresso Nacional a discutir o processo de impeachment do presidente. As manifestações estão em uma ascendência. A participação nessa luta apartidária pela vida é superior aos atos em favor de Bolsonaro; basta comparar as imagens. Queremos poupar vidas. 2022 será deliberado em 2022. Afinal, ainda estamos no primeiro semestre de 2021”, comenta. O parlamentar critica a cobertura da imprensa sobre o protesto de sábado, uma vez que ele foi superior aos de apoio a Bolsonaro, a julgar pela avenida Paulista, em São Paulo. Segundo o vereador, os veículos de comunicação não repercutiram devidamente a manifestação. Ele destaca também que o pedido pela saída de Bolsonaro ultrapassou as fronteiras e foi feito em outras cidades do mundo, como Lisboa e Londres. “Teve mais manifestantes do que foi divulgado pela imprensa. Na avenida Paulista, contamos cerca de 40 mil pessoas. Aqui, em Natal, esse número chegou a 5 mil participantes”, conta o vereador que não participou do ato presencialmente, pois integra o grupo de risco. Ele, contudo, revela que incentivou a participação popular através das redes sociais. Paulino explica que a esquerda evitou ir às ruas “por uma questão de responsabilidade”, mas pondera que “não podíamos esperar mais”. “Se um povo vai às ruas na pandemia é porque o governo é mais perigoso que o vírus”, justifica ele a importância da manifestação em meio à crise sanitária, utilizando a frase que marcou atos no Chile e na Colômbia – países que inspiraram o movimento brasileiro. “Evitamos por causa do agravamento da pandemia. Mas, diante das mortes em curva crescente e da vacinação atrasada, não podíamos esperar mais. Por isso, fomos – de máscara, protetor facial e mantendo o distanciamento – exigir vacinas e pedir ‘fora Bolsonaro’. Comportamento diferente da direita, que foi irresponsável, assim como o presidente, circulando em espaços públicos sem máscara”, opina. O presidente do PSL no Rio Grande do Norte, delegado Sérgio Leocádio, se posiciona contrário às manifestações – seja de esquerda ou de direita. Para ele, o momento pede união em favor da vacinação contra Covid-19 e da retomada da economia, especialmente na geração de emprego e renda. “Nosso País não pode ficar na polarização, em extremos. Precisamos pensar o Brasil de uma forma mais racional, buscando uma saída assertiva para o que estamos vivendo por causa da pandemia. Inoportuno é a palavra adequada para os protestos de ambos os lados”, comenta o delegado, que foi o terceiro candidato a prefeito de Natal mais votado nas eleições municipais de 2020. O deputado federal General Girão (PSL), por sua vez, pontua que qualquer manifestação da população é válida, desde que seja pacífica, pois “isso faz parte da democracia”. O parlamentar, contudo, destaca que o presidente Bolsonaro tem apoio popular e no Congresso Nacional, o que afasta o risco de impeachment. “As divergências são muito pontuais e caem pela contradição, como esses senadores que insistem em querer fazer da CPI do Covid algo para penalizar o presidente Bolsonaro . Esperamos que venha a ter investigação, sim, em relação a todos os desvios de dinheiro, a começar pelo Consórcio do Nordeste, que no caso do Rio Grande do Norte, levou R$ 5 milhões nossos para compra de respiradores que nunca chegaram, nem nunca vão chegar”, encerra o deputado. O parlamentar relembrou que os apoiadores de Bolsonaro eram acusados de aglomeração pelos que estavam na manifestação do último sábado. “Agora também foram às ruas fazer manifestação. O que me causa ainda mais espanto é que essas manifestações estão eivadas de gente bizarra, fazendo espetáculos de nudismo como protesto, com gestos obscenos, que nada tem a ver com a nossa cultura, nem com o jeito brasileiro de ser”, encerra.

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