Empresas não fornecem testes para Covid-19, dizem entregadores por aplicativo do RN

As pessoas que trabalham em entregas por aplicativo não têm suporte para realizar o exame para Covid-19 custeado pelas plataformas no momento mais crítico da pandemia no Rio Grande do Norte, de acordo com Manoel Maciel, membro da Associação para os Motos e Bikes Entregadores do RN (Ambern). Desde o início da pandemia, durante o isolamento social, os entregadores por aplicativo suprem as necessidades dos potiguares que precisam receber medicamentos, alimentos, itens de casa, entre outros, por delivery. A reportagem do Agora RN ouviu os trabalhadores desse serviço, que relataram as rotinas e desafios para se proteger da Covid-19 enquanto realizam as entregas, já que as plataformas não oferecem nenhuma ajuda para testagem contra o coronavírus. Manoel Maciel de Medeiros, de 40 anos, membro da Ambern, trabalha como entregador há oito anos por aplicativos, de forma autônoma. Ele diz que, apesar da crise sanitária, não há suporte das empresas de aplicativo para que os trabalhadores se protejam e se sintam mais seguros para trabalhar. “Além de alguns casos de racismo e humilhação pela classe social, não temos nenhum suporte mínimo pelas plataformas de aplicativo. Máscaras e álcool em gel são coisas pontuais que não atendem a nossa necessidade diária. A testagem não existe: eu, por exemplo, nunca fiz um teste de Covid pelas empresas. Até hoje não apresentei sintomas, acredito que não peguei, mas não posso afirmar”, relatou Manoel. Atualmente ele inicia o dia de trabalho fazendo entregas de uma pastelaria de Natal. Às vezes, também entrega a noite nas plataformas de aplicativo, com uma jornada média de trabalho de 12 horas por dia e uma remuneração diária que oscila entre R$50 e R$ 120. “Quando a pandemia iniciou eu já trabalhava como entregador. Percebi que tivemos um aumento na demanda de entregas considerável, mas isso não refletiu nas taxas de entrega, que praticamente congelaram. Hoje, com o aumento dos combustíveis, temos uma atividade completamente inviabilizada, além da dificuldade para a manutenção do veículo”, descreveu Manoel. Para ele, a pandemia colocou os entregadores em uma situação de importância na sociedade, que hoje tem um olhar de respeito com a categoria que supriu as necessidades com as entregas, para que ninguém precisasse sair de casa. O entregador Allyson Alves, 21 anos, que antes da pandemia cursava Eletrotécnica, precisou trancar a faculdade diante da dificuldade financeira para pagar o curso. Ele trabalha de bicicleta e de motocicleta fazendo entregas por aplicativo há pouco mais de um ano. Apesar do uso de máscara e álcool em gel constantemente durante as entregas, ele tem medo de contrair o novo coronavírus. “Eu sou do grupo de risco, tenho muito medo, então quando chego no estabelecimento sempre peço ao funcionário para colocar o pedido dentro da bag da motocicleta e na entrega o cliente mesmo retira seu produto de dentro da bag. Assim, evito exposição ao vírus”, contou. Allyson também confirmou que até hoje não fez teste de Covid-19 ofertado pelas empresas e que os aplicativos só pedem que os entregadores evitem hospitais para não se contaminar. “Se alguma entrega for em hospital o cliente tem que vir até a rua para pegar, a gente não pode entrar” acrescentou. Apesar da alta nos pedidos logo no início da crise sanitária, o entregador disse que a demanda de pedidos caiu bastante a partir da abertura do comércio, bares e restaurantes, ainda em 2020. Desde o ano passado, os trabalhadores lutam por melhorias nas taxas de entrega, como ocorreu no movimento “Breque dos Apps”, quando no primeiro semestre entregadores por aplicativos de todo o país realizaram duas manifestações por melhores condições de trabalho e reajuste nas tarifas pagas por quilômetro rodado aos profissionais. Ainda segundo Manoel Maciel, este ano, com os sucessivos aumentos da gasolina, foi solicitado que as empresas de aplicativos façam o repasse do aumento do combustível e do custo de manutenção dos veículos para o valor das taxas de entrega. Os trabalhadores esperam ser ouvidos e ter o suporte das plataformas de entrega, dos empregadores e do próprio Governo do Estado, segundo Maciel.

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