Quase 11 mil pessoas foram mortas no Rio Grande do Norte nos últimos seis anos


Quase 11 mil pessoas já foram mortas no Rio Grande do Norte nos últimos seis anos. Somente de 2019 para 2020 o aumento no número de assassinatos foi de pouco mais de 3%. Os dados referentes às chamadas Condutas Violentas Letais Intencionais (CVLIs) são da Rede e Instituto de Pesquisa Observatório da Violência (OBVIO), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

O levantamento do Obvio referente ao período compreendido de 2015 a 2020 mostra que apenas no primeiro ano foram registradas 1.670 CVLIs. Em 2016, a quantidade de casos saltou para 1.996. No ano seguinte, esse número passou para 2.412, fazendo 2017 figurar como o mais violento dos últimos seis anos. Em 2018, a chamada violência homicida no estado caiu para 1.964 casos. No ano seguinte, houve mais uma redução: foram 1.455 mortes.

Já em 2020 foi contabilizado um considerável aumento em relação a 2019. No decorrer do ano passado, o Obvio deu conta de 1.501 pessoas assassinadas em todo o território potiguar. O acumulado de CVLIs entre 2015 e 2020 no RN fez o estado somar 10.998 ocorrências. O comparativo mostra que de 2019 para o ano passado, o crescimento foi de 3,16% no número de casos.

O levantamento detalha que em 2019, março foi o mês mais violento no RN, quando na época foram mortas 149 pessoas em todo o estado. Por outro lado, fevereiro registrou a menor quantidade de assassinatos do referido ano: 103. Já em 2020, abril é relacionado como o mês mais violento do ano: 156 CVLIs. Setembro aparece com o menor número de mortes: 95.

Homens jovens pardos predominam entre mortos em 2019 e 2020

O levantamento da Rede e Instituto de Pesquisa Observatório da Violência (OBVIO), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), mostra também que a tendência em relação ao perfil das vítimas de Condutas Violentas Letais Intencionais (CVLIs) no estado em 2019 e 2020 se mantém como a de anos anteriores.

Os dados constatam que homens jovens pardos predominam entre as pessoas assassinadas no território potiguar em 2019 e 2020. Segundo as estatísticas do Obvio, do total de 1.455 CVLIs em 2019, apenas 104 vitimaram mulheres; e em 2020, de 1.501 mortes, somente 84 resultaram no óbito de vítimas do sexo feminino. No acumulado de assassinatos, em ambos os anos, a cor parda predominou entre as pessoas mortas, ultrapassando os mil casos em cada período.

Acerca da faixa etária, também como em anos anteriores, pessoas entre 18 e 24 anos de idade lideram os números. Em seguida, vêm vítimas de 35 a 64 anos; de 25 a 29; de 30 a 34; e de 12 a 17. Em menor quantidade, aparecem crianças entre 0 e 11 anos e idosos acima de 65, totalizando, respectivamente, entre 2019 e 2020, 17 e 46 ocorrências.

O levantamento detalha ainda que nos dois últimos anos, armas de fogo se manteve no estado como o meio mais utilizado para a prática de CVLIs, ultrapassando a casa dos 1.200 casos cada ano. Arma branca e espancamento são mencionados como armamento empregado nas mortes em um número bem menor de casos.

O comparativo entre 2019 e 2020 aponta reduções nos óbitos resultantes de intervenção policial, lesão corporal seguida de morte e de feminicídios (assassinatos de mulheres por violência doméstica e/ou de gênero).

Natal e Mossoró mantêm liderança de mortes em 2019 e 2020

As duas maiores cidades do Rio Grande do Norte concentram a grande maioria de Condutas Violentas Letais Intencionais (CVLIs) ocorridas no estado nos dois últimos anos. Esse é o cenário descrito pelos dados da Rede e Instituto de Pesquisa Observatório da Violência (OBVIO), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Assim como em anos anteriores, Natal e Mossoró mantêm a liderança no ranking de assassinatos no território potiguar em 2019 e 2020. A capital do RN teve 284 casos no primeiro ano e 296 no outro. Já o município da região Oeste do estado teve 222 mortes em 2019 e 187 em 2020. O comparativo revela uma queda de quase 16% de um ano para outro.

A lista das dez cidades potiguares mais violentas nestes dois últimos anos é completada por São Gonçalo do Amarante, Parnamirim, Macaíba, Ceará-Mirim, Extremoz, São José do Mipibú, Canguaretama e Caicó. De 2019 para 2020, São Gonçalo do Amarante, Parnamirim, Macaíba e Canguaretama apresentaram diminuição de mortes.

Já Extremoz, São José, Caicó e Natal tiveram aumento de caso, com destaque para o primeiro município que teve um crescimento de pouco mais de 63%. São José registrou uma elevação de 33,33%; Caicó de 8.33%; e Natal de 4,23% na subida de assassinatos de 2019 para 2020.

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