terça-feira, 14 de julho de 2020

Polícia Civil colheu 23 depoimentos em um mês do caso Gabriel; protesto cobra rapidez nas investigações


Gabriel tinha 18 anos e morava no Guarapes — Foto: Cedida pela família
Gabriel tinha 18 anos — Foto: Cedida G1 RN

Há um mês, o corpo de Giovanne Gabriel de Souza Gomes era encontrado em uma região de mata na comunidade Pau Brasil em São José de Mipibu, Região Metropolitana de Natal. A perícia inicial do assassinato apontou que o jovem de 18 anos, que estava desaparecido, teve os braços amarrados com braceletes plásticos e sofreu disparos de arma de fogo na cabeça.
As investigações do caso estão com a Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil e seguem sob sigilo. Até o momento foram colhidos 23 depoimentos de parentes, pessoas próximas a Gabriel e testemunhas. A corporação não divulgou nenhum outro detalhe para não atrapalhar as investigações do caso.

Amigos e familiares de Gabriel preparam uma manifestação para esta terça-feira (14). O ato está marcado para às 15h no Guarapes, bairro onde Gabriel morava juntamente com a mãe, a irmã e o padrasto. Os manifestantes farão uma caminhada pelas ruas do Guarapes até a praça pública do bairro, onde um documentário sobre a vida de Gabriel será exibido em um telão.
"A ideia é que a gente faça essa homenagem para que a gente tenha uma resposta, há um mês que estou com essa dor que já virou angústia e revolta. É revoltante demais, meu filho nunca nem pisou numa delegacia e morreu dessa forma. O que a gente quer agora é ter uma resposta pra saber quem fez isso com meu filho", desabafa Priscila Souza, mãe de Gabriel.


Priscila foi ouvida pela polícia em uma das 23 oitivas da investigação em 16 de junho, um dia após a confirmação de que o corpo achado na mata era do filho. "Depois disso não soube de mais nada, mas confio que em breve a gente tenha um esclarecimento. Seria uma forma de diminuir a dor", acrescenta.
O protesto "Justiça por Gabriel" pretende também cobrar rapidez na apuração do caso. Um dia após o corpo do rapaz de 18 anos ter sido encontrado, a governadora do RN Fátima Bezerra fez coro ao pedido dos familiares e pediu "empenho" e "rigor" a Polícia Civil.

Por meio do departamento de comunicação, a corporação informou que a não divulgação de detalhes não significa que as investigações não tenham avançado.

Relembre o caso

Priscila Souza, mãe de Gabriel, na manifestação do dia 15 de junho — Foto: Ayrton Freire/Inter TV Cabugi
Priscila Souza, mãe de Gabriel, na manifestação do dia 15 de junho — Foto: Ayrton Freire/Inter TV Cabugi

Gabriel deixou a casa onde vivia com a mãe, a irmã e o padrasto na manhã do dia 5 de junho para ir de bicicleta à casa da namorada em Parnamirim, na Grande Natal. Ele fazia o trajeto em cerca de uma hora, mas sumiu antes de chegar ao destino. A namorada de Gabriel ligou preocupada para a mãe dele. Desde então o jovem não foi mais visto.
Familiares e amigos iniciaram a busca por Gabriel e chegaram a encontrar suas sandálias e a bicicleta em uma área de vegetação em Parnamirim. O corpo foi encontrado no dia 14 de junho. Um dia depois, amigos e familiares saíram em caminhada segurando cartazes e faixas com as mensagens "Quem matou Gabriel?", "Queremos justiça", "Vidas negras importam" e "Todos por Gabriel".
Gabriel era estudante e sonhava em ser militar. Ele também fazia um curso de informática na Cidade Alta em Natal e trabalhava fazendo bicos de manutenção, pintura, limpeza e encanação com o padrasto em Parnamirim, na Grande Natal.

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