quarta-feira, 10 de abril de 2019

Urbana abre investigação para apurar morte de catador de 19 anos soterrado por lixo em Natal

Aterro sanitário estação de transbordo de resíduos sólidos cidade Nova Natal — Foto: Rafael Fernandes/Inter TV Cabugi
A Companhia de Serviços Urbanos de Natal (Urbana) vai abrir um processo administrativo para apurar causas e responsabilidades sobre a morte de um catador que foi soterrado por camadas de lixo na estação de transbordo de resíduos sólidos de Cidade Nova, na Zona Oeste de Natal. O caso aconteceu no final da manhã desta terça-feira (9), mas a companhia só se pronunciou nesta quarta (10) sobre o caso.

Segundo familiares e amigos, Eliabe Gonçalves da Silva, de 19 anos, ficou soterrado após ser atingido por duas camadas de lixo jogadas por uma máquina no local. Em nota, porém, a Urbana classificou a morte como acidental e disse que o jovem fazia "catação clandestina" na estação.
De acordo com a Companhia, há constantes ações com apoio da Guarda Municipal de Natal para evitar invasões de catadores clandestinos e voltadas ainda para integrar essas pessoas às cooperativas financiadas por ela.

"Para a solução definitiva do problema, há processos para a construção de um muro no entorno e segurança privada permanente para impedir o acesso de estranhos ao local." 

Eliabe era casado e morava no bairro do Planalto, também na Zona Oeste da Cidade. Ele não tinha filhos. Para se sustentar, o catador trabalhava no lixão desde muito jovem coletando materiais para reciclagem.

O incidente aconteceu por volta das 11h30 da terça (9). A cunhada da vítima, Emili Ângela, contou que o jovem ia almoçar em casa, mas decidiu voltar e seguir no trabalho. Nesse momento, ele estava num ponto alto da estação e uma máquina fez o movimento para o despejo de mais resíduos. Eliabe e outros catadores gritaram e alguns chegaram a bater na máquina para alertar sobre a presença do jovem, que correu e caiu numa das barreiras de lixo.

Logo após a queda, os outros catadores contaram que a máquina despejou os resíduos em cima de Eliabe - e repetiu o processo por uma segunda vez. "O lixo fechou a barreira e ele ficou com a metade da cabeça pra fora. Os amigos foram ajudá-lo, mas a outra máquina empurrou o lixo. Todo mundo pediu pra parar, mas ele não parou", contou um dos catadores que estavam no local e que não quis se identificar. "Eu vi só quando a máquina o enterrou e jogou o lixo. Ficou só a cabeça dele aparecendo. Quando ele pediu ajuda, a máquina pegou e jogou o lixo por cima de novo", relatou outro catador.

G1 RN

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