domingo, 20 de agosto de 2017

Médico do Samu Natal é advertido por atendimento ‘polêmico’ ao telefone

Médico do Samu Natal é advertido por atendimento ‘polêmico’ ao telefone
Um médico do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) em Natal foi advertido por usar ‘linguajar inadequado’ e apresentar ‘excesso de preocupação com segurança no local’ ao atender uma chamada com pedido de socorro ao advogado Rodrigo Paiva, de 37 anos, baleado em um assalto no último sábado (12), na Zona Leste de Natal. Uma atendente também recebeu advertência da coordenação do serviço por falta de objetividade na identificação do endereço. Escute o áudio.
A gravação da chamada foi conseguida pela família da vítima. Nela, uma mulher leva quase dois minutos para explicar à atendente a localização onde o fato aconteceu. Em seguida, ela é atendida por um médico, que usa palavras de ‘baixo calão’, segundo os familiares, que também reclamaram da falta de ‘humanização’ diante de um caso grave.
“Um médico grosso dizendo que não ia mandar ninguém sem polícia. Com esse tempo, chamasse o Itep [Instituto do estado que realiza perícia de locais de crime e exumação de corpos de vítimas]. Meu irmão estava morrendo. Não tem palavra para descrever isso. É uma falta de preparo”, disse o irmão do advogado, Carlos Virgílio, à Inter TV Cabugi.
No áudio, a mulher reclama da burocracia para conseguir o atendimento. “Minha senhora, não tem como mandar logo não, a ambulância? É uma urgência”, diz ao ser informada pela atendente que ainda falaria com um médico. Ao atender a ligação, o profissional ainda afirmou que só poderia enviar uma equipe com a presença da Polícia Militar no local.
“É assim mesmo senhora, funciona desse jeito, viu?”, diz o médico ao iniciar o diálogo, enquanto a mulher comenta com alguém ao seu lado sobre a demora. “Ave maria! É que o homem tá baleado aqui”, comenta a cidadã. “É que a culpa primeiro não é da gente, né?”, retruca o profissional.
Ao questionar a mulher sobre o local do ferimento, ela responde o nome da rua. “Foi na bunda, na perna na cabeça, na orelha, em que local?”, pergunta ele.
Apesar da advertência, os coordenadores consideraram que não houve falta severa dos profissionais. O secretário municipal de Saúde de Natal, Luiz Roberto Fonseca, afirmou que o caso poderá ser apreciado por uma comissão de ética. “Algumas colocações, alguns comentários, a forma como foi colocado, pode ter tido um tom jocoso. Protocolarmente, não houve erro”, considerou.
De acordo com o secretário e a coordenação do Samu, os dois servidores cumpriram o protocolo de atendimento e o tempo estimado para o serviço. Ainda de acordo com o Samu, a ambulância chegou a ser encaminhada para o local, mas o procedimento foi cancelado quando a equipe foi avisada de que o advogado já tinha sido socorrido por populares.

Falhas

A coordenação do Samu considerou que houve excesso do médico com a segurança do local, mas confirmou que as equipes de atendimento só se deslocam para atendimento em locais de crime quando há presença da polícia. O secretário de Saúde afirmou que a medida visa proteger os profissionais bem como outros cidadãos. “Um dos nossos objetivos é justamente evitar fazer uma nova vítima”, declarou ao G1.
Para Luiz Roberto, apesar de ter o objetivo de minimizar as falhas, perdas com trotes e com localização imprecisa, o protocolo, que tem entre cinco e 10 anos, está obsoleto diante da gravidade e da quantidade de casos violentos em Natal. “Em casos graves, o socorro tem que ser o mais breve possível. Mas hoje ele segue o mesmo padrão dos outros”, considerou.
Outra falha identificada pelo secretário é quanto ao chamado da polícia. “Talvez fosse melhor que o próprio Samu chamasse o apoio da polícia, em vez de delegar isso ao cidadão. Mas precisamos de um contato com o comando da PM, que a polícia priorize, porque ela também enfrenta déficit e às vezes não tem como apoiar. Isso é um problema que a gente tem que rever”, considerou.
Ele afirmou que na próxima semana realizará uma reunião para que a equipe possa repensar os protocolos de atendimento do órgão.

VIA G1/RN

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