terça-feira, 13 de junho de 2017

Unidades básicas de saúde da zona Norte têm estrutura precária e falta de médicos

Unidades básicas de saúde da zona Norte têm estrutura precária e falta de médicos
Prédios com estruturas danificadas, falta de médicos, orçamento limitado e cobertura insuficiente. Esse é o quadro da rede municipal de assistência básica, segundo relatos da presidente do Conselho Municipal de Saúde, Geolípia Jacinto. De acordo com ela, o quadro dramático se arrasta há algum tempo, mas, apesar dos esforços, a situação continua crítica.
Geolípia argumenta que o principal problema diz respeito à precariedade na estrutura de algumas unidades básicas de saúde e o fechamento de outras há cerca de dois anos para reformas. Na zona Norte de Natal, por exemplo, há pelo menos quatro casos. “Algumas reformas foram iniciadas há mais de dois anos, mas foram paralisadas por abandono das empresas. Algumas serão retomadas, outras não”, reclama.
O caso mais preocupante é o da unidade básica da Planície das Mangueiras, no bairro de Nossa Senhora da Apresentação. A presidente do Conselho Municipal de Saúde relata que esta obra foi abandonada pela empresa contratada e que não há previsão orçamentária para que as intervenções sejam concluídas. Por enquanto, a população sofre com a falta de atendimento.
“Fizemos um apelo ao prefeito Carlos Eduardo Alves no sentido de sensibilizá-lo frente à precariedade em que se encontra a unidade e solicitar a garantia de um atendimento digno aos usuários e condições de trabalho aos servidores”, registra, lamentando o prejuízo com o valor investido para o início das obras, já que o prédio terá de ser reconstruído. “E tem um agravante: foram locados contêineres e foi feito um teto de zinco para que as pessoas pudessem aguardar atendimento. Imagine o calor”, acrescenta.
Outras unidades também na zona Norte de Natal estão com obras paralisadas. São os casos dos postos de saúde do Alto da Torre (Redinha), da Pedra do Sino (Potengi) e de Nordelândia (Potengi). Nesses casos, contudo, processos de licitação já foram encaminhados e as obras devem reiniciar em breve.
A presidente do órgão consultivo da área da saúde relata ainda que a situação é precária na unidade do conjunto Santa Catarina (Potengi). Ela afirma que, entre outros problemas, há defeitos na estrutura do prédio que abriga a unidade, infiltrações e vazamentos, espaço apertado, falta de acessibilidade e banheiros. “Além disso, não há espaço para recepcionar os usuários, sendo necessário aguardar atendimento do lado de fora da unidade”, pontua, sem contar com o fato de que a unidade está funcionando em outro local, no Panatis.
Geolípia comenta que, além da falta de estrutura nas unidades, o município de Natal vivencia um grave problema com a falta de profissionais para atenderem nos postos da rede de atenção básica. “Natal está com uma carência de médicos. Faltam 24 profissionais apenas na zona Norte. Cada médico atende vinte pacientes”, relata.

Ainda segundo ela, devido à carência por concurso público na área, um grupo significativo de médicos acabam sendo contratados via cooperativa, o que acarreta em um custo elevado para a gestão municipal. “Por ano, pagam-se cerca de R$ 60 milhões por 400 médicos da cooperativa”, afirma, registrando que trata-se de um custo elevado.
Por outro lado, a presidente do Conselho Municipal de Saúde aponta que a situação poderia ser amenizada caso não houvesse o que ela classificada como uma “forte invasão por outros municípios”. “Natal não comporta a demanda de outros municípios. Isso sobrecarrega as unidades, tirando o direito dos moradores de serem atendidos de forma adequada. Tem UPAs, unidades reformadas, mas um grande problema ainda é a invasão por usuários de outros municípios”, reconhece.

Apesar disso, ela reclama do baixo investimento feito no setor. Segundo Geolípia, o erro está na escalação de prioridades. “O repasse que é feito para a secretaria não é suficiente para cobrir toda a área de assistência, de promoção à saúde. Há uma deficiência muito grande na atenção básica. Por outro lado, há um grande investimento na área hospitalar, de assistência à doença. Para este ano, aprovaram 22% das receitas, o que não atende as demandas básicas do município”, finaliza.

VIA AGORA RN

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